Sobre a morte de meninos na Síria

Revi muitas vezes o vídeo dos meninos sendo executados na Síria.
Não há nada mais terno que uma pessoa prestes a morrer.

Um deles com a cabeça baixa, sempre olhando para o chão, como que já aceitou e agora só espera para morrer.
O outro, maior, com o olhar um pouco mais para frente, porém, ainda assim, olhando para baixo.
“Executing Children for Supporting Assad ”, diz o título.
Se Assad é a causa ou não, não importa, o que importa é que ninguém deveria morrer.
O juiz, se é que podemos chamar de juiz, diz palavras que eu não entendo.
Mesmo que eu conhecesse sua língua, não saberia entender.

E então, logo no início, o menino de cabeça semi-baixa ensaia um gesto único: gira a mão para a direita e tenta tocar na perna do amigo. Mas acho que ele não conseguiu. Ele queria dizer “corra, tente fugir”, ou então aquele foi o abraço de despedida mais lindo que já vi.


Escrever sobre eles me gera culpa. A morte não pode ser espetáculo. No lugar de escrever, desejo apenas imaginar. Eu só queria empurrar o dedo do garoto maior um pouco mais pra direita. Dar um abraço e fazer um cafuné. Dizer que está tudo bem, que cheguei a amá-los e fazê-los levantar.


Tedesco, 27 de agosto de 2013

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